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:: 05 de janeiro, 2010 ::
tudo novo de novo...
Sabe quando um ano começa totalmente novo? E a gente se sente tão feliz que dá até medo? É assim que piso em 2010. Com um pé atrás, que o andor é de barro.
:: 23 de dezembro, 2009 ::
ho ho ho...
Amanhã é Natal. Não quero presente. Quero presença.
:: 13 de dezembro, 2009 ::
vamos?
ah tristeza, me desculpe
:: 09 de dezembro, 2009 ::
assim...
Noite dessas liga a mais velha pedindo pelamordedeus pra ir buscá-la na escola, que já tinha acabado a aula, tava chovendo muito, ela tinha perdido o ônibus das 20h30 e o próximo só as 23h00. Lá fui eu, de pijama por baixo do moleton, no meio daquela puta chuva, buscar a cria do outro lado da cidade. Confesso: no começo da "viagem" tava bastante p da vida, me controlando pra não derrubar um caminhão de melancia na orelha dela. Quando peguei a avenida avistei a árvore de natal de luzes no meio da pista... Meu sorriso surgiu instantaneamente, como se eu tivesse sido tomada por uma chuva de luz colorida. Diminui a velocidade e passei a apreciar os enfeites nas ruas, nas lojas, nas casas. Entendi pra que servem as luzes de dezembro: pra animar a nós, pobres mortais, que estamos arrastando o saco no chão (não o do papai noel) de tanta canseira, aporrinhação, exaustão.
:: 30 de novembro, 2009 ::
pãe...
Tem vezes que eu gostaria de ser só a mãe. A vida tem me colocado direto na condição de pai. Duas pessoas dentro de um só corpo. Tá, vou dar conta.
:: 27 de novembro, 2009 ::
afuuuuuu...
Perto do meu trabalho tem um pé de dama da noite que cheira gostoso até durante o dia. Ainda não consegui decifrar em qual das casas, qual dos jardins ela mora. Me faz um bem danado sentir aquele perfume na ida e na vinda, na ida e na vinda. Tenho uma memória olfativa que dá até medo. O cheiro do mato, da chuva, do vento, do sol, do canto dos pássaros, do sorvete, da bala, do bolo, da castanha, da semente, do pudim caramelado são tapetes voadores que me transportam em velocidade alucinante pra algum canto da minha alma. Da minha mente. Constatei que tenho mais boas do que más memórias. Sim, há cheiros que me deprimem. Quem não tem lembranças amargas? Mas, não tem um dia - até os chuvosos - que eu não meta o nariz na janela assim que me levanto, pra cheirar o dia. Inspiro. E não tem uma noite - até as chuvosas - que eu não espie o céu agradecida. Expiro. O movimento da minha respiração não combina com a correria a que me submeto diariamente - desvairada - tentando agradar a turma toda. Por isso é que no início do dia e no final da noite me dou de presente um ritmo especialmente sagrado. Nesses momentos só meus é comum que eu solte alguns suspiros ou ais. É comum o silêncio, as lágrimas perdidas entre sorrisos escapando do canto da boca. Me abraço, abraçada ao travesseiro de macela e alfazema e cheiro a sono e a sonho. Flutuo de volta pra mim.
:: 24 de novembro, 2009 ::
cocóricó...
Dei uma porrada na cabeça hoje, passando por baixo de um aparelho, na academia. Levantei antes, calculei mal a distância e tuuuuffff, na testa, à direita. Doeu pacas, cotias e tatus. Sai de lá rapidinho. Entrei no carro e chorei de dor, mas principalmente de vergonha. Como quando a gente é criança e leva um tombo na rua e fica todo mundo olhando. Deixei que as lágrimas caíssem sem cerimônia e umas cinco quadras depois estava cantando ao volante, uma música que inventei na hora. Bem alto. Amanhã é o galo que canta cedo.
:: 19 de novembro, 2009 ::
fases...
Hoje ouvi de uma amiga que estamos em fase de sublimação. Fiquei pensando nisso, na hora até concordei com ela, mas depois conclui rindo sozinha pela rua: estamos em fase de falta total de sexo, isso sim! Mas isso (também) passa. Na verdade, estamos reclamando de barriga cheia. Barrigão, aliás. Tanta gente por aí, vivendo histórias complicadas, rezando pra se ver livre do "encosto", sem coragem de tomar uma atitude. Ó, vou te contar. Antes sublimando do que sofrendo
:: 16 de novembro, 2009 ::
um gato preto cruzou a estrada...
Fazia tempo que eu não tinha uma sexta 13 tão zicada. Na verdade, sempre gostei dessa combinação, mas desta vez.... Começou com uma discussão pra lá de feia com minha caçula, tive de arrumar um jeito pra mais velha imprimir um trabalho pra entregar na escola antes das 8 da manhã. Derreti o dia todo com esse calor dusinfernos e, antes de conseguir voltar pra casa e lá ficar bem quietinha, tive de fazer uns 2 ou 3 favores pra dona mãe. No sábado, depilei as pernas e tô me coçando toda de alergia até hoje. Ah! Tive de trabalhar no sábado. E pra encerrar com chave de ouro o final de semana, passei boa parte da tarde de ontem limpando a geladeira. Ah sim, detalhe importante: fui fazer um pum disfarçadamente e ... isso mesmo! Me caguei!
:: 11 de novembro, 2009 ::
bleargh...
Vomitei a alma ontem. Eu devia estar mesmo possuída porque comi praticamente metade de uma torta de banana, ali pelas 7 da noite. Na hora até que caiu bem mas, depois da tempestade não veio a bonança, veio água na boca, aquele mal-estar horrível e uma queimação que descia e subia da garganta ao estômago. Vomitei a alma, o chá morno, os remédios que tinha tomado e - desculpem a nojentice - pedaços inteiros de banana. A digestão não se consumou e eu quase me consumi. Que coisa horrível é forçar uma barra, fazer a operação contrária, subir em vez de descer. Eca, eca e eca. Hoje a sensação que tenho é que ligaram um liquidificador dentro da minha barriga. E deixaram os restos. Eca, eca e eca. Pra completar esses meus dias insanos, esbarrei no carro de um policial agora de manhã. Trocamos de tinta: fiquei com um risco prateado e ele com um cinza. Ainda bem que combina né? Desci do carro pedindo mil desculpas porque, de fato, a culpa foi toda minha. Ele tava parado e eu, ao estacionar, calculei mal a distância e blequetéfe. Graças ao bom e maravilhoso Deus, ele olhou, passou a mão no parachoque dianteiro e concordou que bastava um paninho úmido pra ficar tudo lindo. Amém. Agradeci milhões de vezes, falei um monte de coisas, entre elas que ele era um anjo. Entrei no carro e... desabei. Chorei alto. Sem cerimônia. Nem aí com os passantes. Foda-se, sabe como? Tô com medo de comer e passar mal. Tenho vontade de ir pra um lugar bem sossegado, sem possibilidade de comunicação com o resto do mundo, sem energia elétrica (que apagão maluco o de ontem heim?), com muita água, sol e céu. No próximo balão que passar por aqui eu pego carona. Ou fujo com o circo. Tô "por aqui". E acho que não vomitei a alma toda ainda. |
"Uma noite de lua pálida e gerânios ele viria com boca e mãos incríveis tocar flauta no jardim. Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa. Eu que rejeito e exprobo o que não for natural como sangue e veias descubro que estou chorando todo dia, os cabelos entristecidos, a pele assaltada de indecisão. Quando ele vier, porque é certo que vem, de que modo vou chegar ao balcão sem juventude? A lua, os gerânios e ele serão os mesmos - só a mulher entre as coisas envelhece. De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?" (Adélia Prado)
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